segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tristeza faz p(arte).


Faça-me quebrar a cara, arranque-me o último gole de esperança, deixe-me em um canto qualquer me lamentando por algo que fiz ou deixei de fazer. Conte-me as mais terríveis mentiras, quebre meu coração, mostre-se indiferente. Pois é só assim que eu consigo ver nitidamente o que acontece a minha volta. É só dessa maneira que eu percebo o quanto eu fui estúpida por acreditar em algo sozinha. Por insistir nesse amor unilateral. Faça-me perder a razão, o ar, o chão. Sentir-me total e completamente sozinha, inútil. Dessa maneira, somente dessa maneira, sai alguma coisa de mim. No meu caso, tristeza não apenas faz parte, mas faz arte também.



(이 영 인)

terça-feira, 17 de julho de 2012

Conhecendo-me



Escritora meia boca, incompreendida, dramática, sonhadora, criança na maior parte do tempo, apaixonada por olhos brilhantes e bocas carnudas. Amante da música popular brasileira, cantora de chuveiro, especialista em levantamento de garfo, estranha, tímida, calada, péssima em exatas. Uma bagunça por dentro e por fora. Passo a maior parte com os meus livros ou com meu violão. Gosto de estar sozinha, mas tenho pavor de me sentir dessa maneira. Sou insuportável e isso piora na minha TPM. Sou sociável, mas tenho pouquíssimos amigos. Sempre acho que sou culpada por tudo, não importa o que seja. Choro atoa, sou autora de piadas sem graças, adoro cozinhar, embora não saiba muito bem. Adoro animais, principalmente gatos. Gosto de crianças, fazer bagunça, mexer em cabelos. Amo o barulho da chuva na minha janela, cheiro de terra molhada e dias nublados. Adoro o som de risadas, cheiro de café, um cafuné. Gosto do som do mar e sentir a areia entre meus dedos. Creio que não há nada melhor do que jogar conversa fora com pessoas da qual eu gosto. Sou completamente apaixonada por flores, beijos no pescoço e ficar na cama. Gosto de fazer as pessoas rirem e que me façam sorrir também. Prefiro escutar a falar. Tenho certa dificuldade em ter relacionamentos, acho que não preciso mencionar o porquê, não é? Não sou o tipo de pessoa pela qual outra se apaixona, de verdade. Desastrada demais, atrapalhada demais, calada demais, sentimental demais. Prazer, essa sou eu.



(이 영 인)

domingo, 8 de julho de 2012

Coração aberto.

E é tão estranho te ver com outros olhos. Não sentir que meu mundo irá desabar só porque você está por perto. Ver que meu estômago não dá aquela reviravolta e faz com que eu sinta aquelas malditas borboletas só porque você abriu aquele sorriso. Sorriso que há algumas semanas atrás fariam minhas pernas bambearem. Mas não fizeram. Meus olhos já não se enchem de lágrimas ao ver que está olhando aquela garota como gostaria que olhasse pra mim. Ou notar que você simplesmente tem algo melhor pra fazer do que ficar horas conversando comigo. Estranho como o amor é. Um dia, lá estava eu escrevendo canções e poemas com o coração na mão, implorando por um milagre que fizesse você olhar um pouquinho pra mim e notar que tudo o que eu sentia por você ainda não havia passado. Agora cá estou eu, falando sobre nós novamente, mas com uma visão totalmente diferente... Como amigos. Como se você nunca tivesse feito com que eu passasse noites em claro ouvindo aquelas estúpidas canções sobre a garota invisível e o cara idiota que nunca a nota. Acabou. O amor finalmente tomou uma forma diferente. E eu finalmente superei.  



(이 영 인)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

" Estamos perdendo tempo. Não viu que a pipa está indo para o outro lado?
Hassan trincou uma amora. - Está vindo pra cá - respondeu
Eu mal podia respirar e ele nem parecia cansado. - Como pode saber? - perguntei

Eu sei 
Como?
(...)- Já menti pra você, Amir agha?
De repente, resolvi implicar com ele.
Sei lá respondi.
  Já?- Mil vezes comer cocô! exclamou ele com ar indignado. 
 — De verdade? Você faria isso?
(...)- Faria o quê?

 — Comer cocô, se eu mandasse - respondi.
(...)
Se você mandasse, faria, sim disse ele afinal, olhando bem para o meu rosto.
Baixei os olhos. Foi aí que descobri como é difícil olhar diretamente nos olhos das pessoas como Hassan, essas pessoas que dizem sinceramente o que pensam.
 
Mas fico imaginando... acrescentou ele. Será que algum dia você me mandaria fazer uma coisa dessas, Amir agha?
E, com isso, Hassan me propôs um pequeno teste. Se eu ia provocá-lo, desafiando sua lealdade, ele ia fazer o mesmo, pondo em prova a minha integridade. (...)
Não seja idiota, Hassan. Você sabe muito bem que eu não faria isso!
(...)- Eu sei
disse ele.
E esse é o problema das pessoas que são sinceras: acham que todo mundo também é." 



(O Caçador de Pipas)

segunda-feira, 2 de julho de 2012


Ei, querido. Como você está? Eu espero que bem, porque eu não estou. Antes eu colocava um sorriso nos lábios e fingia estar tudo em seu devido lugar. Costumava funcionar. Mas hoje perguntaram-me o por quê da feição tão triste. Hesitei por alguns instantes, mas logo disse que não era nada. Esse “nada” tem nome, sobrenome, endereço e telefone. Esse “nada” é você. Um nada que se tornou tudo na minha vida tão cheia de buracos. A verdade é que eu estou cansada de fingir que está tudo bem, quando na verdade está tudo desmoronando. Preciso de um alicerce. Um lugar onde possa construir uma casa e por lá ficar. Você era o terreno ideal pra mim, mas onde estás agora? Onde estás além de aqui dentro de mim? (이 영 인)

Cartas que jamais enviarei - 9 de setembro de 2011 às 20:08


Oi meu amor. Será que eu ainda posso te chamar de meu? Tanto tempo se passou desde a ultima conversa que tivemos, lembra-se? Decidimos que era melhor cada um seguir o seu caminho e que a amizade continuaria. Veja só, hoje não tenho nem noticias suas. Mas ouvi dizer que você está mais magro, mudou o corte de cabelo, o estilo e está prestes a se casar. O irônico é que pra quem disse que jamais iria me esquecer, isso aconteceu muito rápido. Mais rápido do que eu poderia imaginar. Eu peço todas as noites para todos os santos que puder imaginar para te tirarem da minha mente. Desde quando você virou as costas e partiu, minha vida tem sido um tormento. Noites mal dormidas e pesadelos constantes passaram a fazer parte da minha rotina. Mas me conte sobre essa nova garota. Ela é mais bonita que eu? Ela conta piadas mais engraçadas do que as minhas? Ela te faz mais feliz do que eu fazia? E o sorriso dela, é tão sincero quanto o meu era? Eu sinto falta de cada detalhe, cada coisinha que passamos juntos. E por mais que eu não queira viver de memória, quando menos espero, lá estou eu agarrada a elas outra vez. Memórias foi a unica coisa que me restou. Ainda tenho aquela sua camisa que você me emprestou para dormir, ela ainda tem o seu cheiro. O lado da cama onde você dormia ainda está da maneira que você deixou. A toalha jogada em cima do sofá, os episódios que ficaram gravados da sua série preferida, o ramalhete de flores que você me deu, por mais que as rosas estejam murchas, permanecem sobre a mesinha da sala de estar. Os videos que gravamos, as coisas que compramos pra nossa nova casa, o vinho que abrimos naquela manhã de janeiro… tudo está como você deixou. Eu só quero te pedir uma coisa, meu amor. Quando puder voltar para casa, ajude-me a arruma-la. Aproveite também para arrumar a bagunça que você deixou dentro de mim, eu ando precisando seguir em frente.


(이 영 인)

Universo particular.


Lá está ela. Sozinha, como sempre. Se você olhar no fundo dos olhos dela perceberá que ela está se esforçando para passar uma falsa felicidade. Se continuar observando, perceberá que seus olhos estão vermelhos e que ela estava chorando a pouco tempo. Ela tem um coração partido, triturado, despedaçado. Ela está sangrando por dentro e sorrindo por fora. Está se esforçando para que ninguém pergunte o que aconteceu. Em sua mente ecoa a seguinte frase: “Eu sou feliz! Eu sou forte! Eu sou feliz…”. Talvez a repetisse incansavelmente para tentar se convencer de que realmente está contente. Mas no fundo, bem no fundo, ela sabia que não era bem assim. Pegou o cigarro dentro de um dos bolsos da calça e levou-o a boca mais que depressa. Em uma hora dessa, o que menos queria era estar lúcida. Deu o primeiro trago, fechou os olhos e começou a entrar em seu mundo. Um lugar onde não existiam ilusões e coração partido. Um lugar onde ela finalmente podia ser feliz, mesmo que apenas por alguns instantes.


(이 영 인)

Adeus.


Eu não sabia o que fazer, tampouco o que falar. Ele estava ali, na minha frente, pedindo perdão com lágrimas nos olhos. Eu tentava ser fria, fingia não me importar, mas no fundo tudo o que queria era me ajoelhar junto a ti, te abraçar e dizer como havia sido difícil continuar vivendo sem você. Não, eu não podia botar tudo a perder, não agora. Senti uma lágrima quente rolando pela minha face. Enxuguei-a rapidamente. Não podia deixar transparecer qualquer emoção, qualquer tipo de afeto ou dar algum sinal de que me importava. Então, em um rápido gesto, você pegou minha mão, olhou no fundo dos meus olhos e pediu para que eu dissesse que já não sentia mais nada. Como num ato instintivo, desviei o olhar. Ele não podia olhar nos meus olhos, saberia que estava destruída por dentro. Ele, insistente, levantou meu rosto com uma das mãos e fez seu pedido novamente. Dei um longo suspiro e olhando em seus olhos, disse que já não o amava. Então, já com os olhos vermelhos de tanto chorar, você foi embora. Eu fiquei lá, sem você, sem ninguém. Mas isso eu superava, afinal, sempre foi assim.


(이 영 인)

Medos, incertezas e solidão.


E a garota que tinha todas as respostas na ponta da língua, opinião formada sobre tudo, perdeu sua voz. Já não sabia mais o que era certo ou errado. Tinha medo de tudo. Medo do escuro, do silencio, da solidão. Já não sabia mais como se sentir, como agir, falar, se expressar. Sentia-se perdida em um mundo desconhecido, sombrio. E a garota que tinha todas as respostas na ponta da língua percebeu que estava sozinha.



(이 영 인)

Nascemos para fingir.


Vivemos em um mundo repleto de atores. Enquanto uns forçam um sorriso para disfarçar os buracos, outros fingem lágrimas para conquistar alguma coisa. Existe aqueles que fingem uma dor para ir embora, e outro que fingem se preocupar. Todos poderiam protagonizar uma novela, ou fazer um filme, porque fingir sempre foi o maior dom do ser humano.


(이 영 인)

Diga-me


Diga-me como parar. Diga-me como te esquecer. Nem que seja por um segundo, só para eu sentir meu coração batendo sem nenhuma culpa, sem nenhum medo, sem nenhuma magoa. Diga-me como ficar longe de você, como suportar sua ausência. Diga-me como parar de me importar, como começar a não ligar se você está sorrindo para outra garota, ou olhando-a como gostaria que olhasse para mim. Diga-me como superar, como cicatrizar, como deixar você no passado. Trancar-te dentro de uma caixa e jogar a chave fora. Diga-me como posso te ver novamente apenas como um amigo, como perder todo o interesse, como relevar. Diga-me como viver sabendo que já não existe um “nós”. Diga-me, ensina-me, faça-me entender como posso viver sem ter você.


(이 영 인)

domingo, 1 de julho de 2012

Onde está você agora?


Quem é você? Sinceramente, já não o conheço mais. Onde está aquele garoto pelo qual me apaixonei? Onde está aquele menino solitário que sempre precisava de um abraço forte e um "eu nunca vou te abandonar" ao pé do ouvido? Olha só pra você. Presunçoso, arrogante, ignorante. Idolatrando tudo o que criticava há um tempo. Criando laços com pessoas que condenava, dando mais importância ao material do que ao sentimental. Fútil, mesquinho. Falando bobagens o tempo inteiro. Onde foram parar suas frases inteligentes e sacadas extraordinárias? Seus poemas feitos em guardanapos e seu sorriso torto? Seus olhos de ressaca, cabelo bagunçado, cara de sono. Nem isso consigo enxergar mais. Estou aqui, esperando uma resposta. Onde está você? Mas o de verdade, o real. O "você" que tem sentimentos, opiniões. O "você" que eu tanto amava, tanto idolatrava e desapareceu sem se explicar. Procure-me no lugar de sempre, estarei lá te esperando. Mas quero que vá sem essa sua bagagem de más ideias e pensamentos xucros. Quero que vá inteiro. E que vá para ficar.


(이 영 인)