domingo, 27 de maio de 2012



Sobre a vontade de apoderar-se de uma minúscula partícula do seu gostar. Sobre as palpitações e espasmos musculares, quando cada vez mais perto de mim tu se aproximas. Sobre o suor escorrendo em minha face, percorrendo todo o meu corpo me fazendo sentir calafrios, quando a ponta de seus dedos pousam em minha cintura. Sobre o desejo desvairado, quando nossos lábios se encontram. Sobre o queimor que sobe dos pés até a cabeça, quando os corpos se encostam; se reclinam; se recostam. Sobre o desejo avassalador que me domina, quando sua língua começa a invadir toda a extremidade de minha boca. Sobre excitação que me apodera; me consome por inteira, quando todos os atos explícitos já foram cometidos.


Sobre o porquê de tanto porquês, e responder que é você.


— Terrorismo-poetico

sábado, 26 de maio de 2012

Você, eu e nada mais.

O tempo é lento pra quem se espera. Lento e cruel. Cada caminhada dos ponteiros é uma tortura. Minutos parecem horas e horas parecem dias. O coração bate cada vez mais fraco, coitado, não foi feito pra esperar. O corpo implora pelo toque, a boca quer sentir de novo aquele beijo, minhas mãos querem ficar entrelaçadas com as suas... Mas, como? Como diminuir essa distancia? Como deixar tudo pra tras e simplesmente ir? Não que me falte coragem, mas me falta idade. Se eu pudesse, se eu realmente pudesse, já estaria ai há tempo. Já teria deixado esses quilometros que nos separam para tras, já teria mandado todos que não acreditam nesse amor se danar. Não estaria aqui, no meu quarto, em pleno sabado a noite, escrevendo sozinha ao som da trilha sonora de um filme do qual não me lembro o nome. Não estaria aqui, com uma blusa surrada, cabelo bagunçado e unhas por fazer. Eu estaria aí, embaixo de um cobertor, te abraçando desde o inicio de algum filme usando a desculpa de que estou assustada demais para ficar do outro lado do sofá. Depois do filme, iriamos pro jardim ver as estrelas, ficariamos ali, sem dizer nada até que eu soltasse uma piada idiota e você riria pra não me deixar sem graça. Mas minha vontade naquele momento seria segurar sua mão e pedir pra que você não fosse embora, nunca mais. Mas não faria nada. Nem se quer te olharia. E ficariamos assim, até que eu pegasse no sono. Você, ao inves de me acordar, me pegaria no colo e me levaria até a sua cama. Deitaria ao meu lado e ficaria horas ali me olhando até pegar no sono também. Nossa geladeira seria repleta das mais diversas porcarias e todos os dias, apostariamos algo durante uma partida de video-game. Você seria melhor do que eu, mas me deixaria ganhar algumas vezes. Nas noites de sabado, ficariamos na sacada do nosso apartamentinho tomando refrigerante e jogando palavras-cruzadas. Dessa vez, eu seria a melhor já que desde pequeno, você nunca soube lidar muito bem com as palavras. No domingo, eu faria a macarronada que você tanto gosta e ficariamos conversando sobre a rotina. Você reclamando do seu chefe. Eu falando mal dos meus professores que insistem em dar trabalhos monstruosos para o final de semana. Ririamos do nosso passado, sentiriamos saudade da nossa infancia, nossa inocencia. Sorririamos ao lembrarmos dos momentos bons e chorariamos ao recordar dos não tão bons assim. Você me abraçaria, eu te apoiaria. Viveriamos assim. Sem compromissos, sem rotulos, sem preocupações com o amanhã. Eu não me declararia a você. Você não manifestaria seus sentimentos em relação a mim. E assim seria, mesmo vivendo com a duvida de sempre, pelo menos naquele momento, eu teria você. E se eu tivesse você, do que mais eu precisaria?



(이 영 인)

Profunda solidão


O que fazer com a saudade? Aquela dor no peito que não há remedio que faça passar. Aquela vontade enorme de pegar o carro e sair sem rumo, sumir do mundo, ficar sozinho. O que fazer com as lagrimas que insistem em cair? O que fazer quando tudo o que você precisa é exatamente tudo o que você não pode ter, não pode ver, tocar... Olhar aquelas fotos velhas que estavam no fundo da gaveta a séculos e se perguntar: "o que aconteceu com a gente?". Simples. O tempo. Foi isso que aconteceu. O tempo fez com ele se cansasse. Cansasse de cuidar das minhas feridas incuraveis, ouvir meu pranto, aguentar minhas crises. Cansasse do meu cabelo enrolado, da minha estatura média e do meu vocabulário chulo. Das minhas unhas curtas, meus olhos opacos e minhas roupas simples. Cansasse das minhas manias, das minhas gargalhadas escandalosas e meus livros velhos. Foi embora. Simplesmente virou as coisas e foi. Tudo o que restou foram algumas roupas no varal. Não deixou nem um bilhete, nem um aviso na porta da geladeira, nem um beijo de despedida. Nada. Partiu como se nunca tivesse ficado. Esquecer-me sempre foi uma coisa tão fácil. O quão tola fui de pensar que dessa vez seria diferente... Dessa vez, vou colocar um bilhete na porta da frente para me lembrar sempre: pessoas como eu nasceram pra ficar sozinhas. 



(이 영 인)