
Ele tinha olhos que a encantavam. Não porque eram azuis, castanhos ou violeta. Não porque eram sérios, carinhosos ou distantes. Ela gostava porque sempre que os via eles estavam brilhando. Brilhavam como quando se é criança, e o mundo ainda tem algumas cores. Na verdade, eles pareciam isso mesmo. Pareciam ter sido roubados. Roubados de sua própria infância. Olhos de criança. Inocentes, sinceros, manhosos quando há sono, debochados quando há graça. Olhos que sabiam pedir muito bem. Sabiam seduzir muito bem. Só não podiam esconder o que se passava na mente dele. Pensamentos, opiniões. Transparentes como o cristal. Em algumas situações isso é o mais desejado.
Mas infelizmente dessa vez ela queria que não fosse assim. Ela sabia que era sério. Eles nunca tinham brigado desse jeito antes. Nunca tinham sequer discutido sobre qualquer besteira. Daquela vez era sério. Ela sabia, não por causa do tom de voz, não por causa das palavras explosivas (e sinceras) que saltavam de sua língua, sabia por causa dos olhos. Opacos, sem brilho. Para quem o conhecia eles intimidavam. Para ela, porém, eles eram inocentes. Da mesma forma que era a criança que cresceu e estava a observar. Eram sérios, mas não queriam intimidar. Eles choravam. Não com lágrimas, nem soluços ou tropeços na voz. Apenas estavam lá, para serem compreendidos. Precisavam de algo, algo realmente forte, para poderem se livrar do que os afligiam. Um abraço talvez.






