quarta-feira, 14 de julho de 2010


Quem a vê na rua pensa que é só mais uma adolescente, talvez mimada, talvez egoísta, talvez sonhadora em excesso. Todos pensam isso sobre adolescentes e ela é assim. O cabelo preto em contraste com a pele quase transparente, não tão bonita, não tão feia, mas o que mais impressiona é o olhar vazio e ao mesmo tempo cheio. Alguns dizem que é só uma tristeza preguiçosa por ter que aguentar mais algumas aulas no dia. Não é só isso. É uma tristeza por ter que aguentar a vida. Aquela vida que não deu certo, a qual ela não sabe como encaixar dentro de si. Tem preguiça dos sonhos que sabe que vai ter que desistir, mas de uma maneira estranha, ela ainda os sonha. Um cansaço da vida ainda tão curta e tão longa. Sabe aquela história de que é necessário um tempo pra se encontrar? ‘É, pura perda de tempo né? Conversa de gente que não quer fazer nada.’ Ela também pensava assim, até o dia em que se perdeu. Ela não precisa se encontrar, viveu perdida por todo esse tempo e gosta disso. Ela quer mais, ou menos, dependendo do ponto de vista. Quer apenas ir ao lugar que pertence, mesmo sem saber onde é. Tem vontade de morrer as vezes, seria simples, mas também tem uma vontade louca de viver, o que a enche de ansiedade. Gostaria que se adiantasse dois meses, só para apressar os fatos. Ela seria um ano mais velha e pelo falso senso comum, estaria mais madura. Talvez assim fosse mais fácil suportar os medos, fracassos e perdas. Já perdeu tudo, não resta mais nada. Quem olha pensa que é tão fria que ali já nem bate um coração, se é que um dia ela já teve um. Mas ela tem um coração, todo camuflado por cicatrizes. Ninguém sabe como ela ainda consegue seguir em frente. Nem ela sabe. Apenas continua, continua...