sábado, 26 de maio de 2012

Profunda solidão


O que fazer com a saudade? Aquela dor no peito que não há remedio que faça passar. Aquela vontade enorme de pegar o carro e sair sem rumo, sumir do mundo, ficar sozinho. O que fazer com as lagrimas que insistem em cair? O que fazer quando tudo o que você precisa é exatamente tudo o que você não pode ter, não pode ver, tocar... Olhar aquelas fotos velhas que estavam no fundo da gaveta a séculos e se perguntar: "o que aconteceu com a gente?". Simples. O tempo. Foi isso que aconteceu. O tempo fez com ele se cansasse. Cansasse de cuidar das minhas feridas incuraveis, ouvir meu pranto, aguentar minhas crises. Cansasse do meu cabelo enrolado, da minha estatura média e do meu vocabulário chulo. Das minhas unhas curtas, meus olhos opacos e minhas roupas simples. Cansasse das minhas manias, das minhas gargalhadas escandalosas e meus livros velhos. Foi embora. Simplesmente virou as coisas e foi. Tudo o que restou foram algumas roupas no varal. Não deixou nem um bilhete, nem um aviso na porta da geladeira, nem um beijo de despedida. Nada. Partiu como se nunca tivesse ficado. Esquecer-me sempre foi uma coisa tão fácil. O quão tola fui de pensar que dessa vez seria diferente... Dessa vez, vou colocar um bilhete na porta da frente para me lembrar sempre: pessoas como eu nasceram pra ficar sozinhas. 



(이 영 인)